Falhas de Atendimento
As falhas no atendimento de urgência e emergência no Brasil, tanto no ambiente pré-hospitalar (SAMU) quanto no hospitalar (Pronto-Socorro/PS), representam um dos gargalos mais críticos da saúde pública. Elas decorrem majoritariamente da combinação entre subfinanciamento crônico, erros de processos e sobrecarga de infraestrutura.
Abaixo estão detalhadas as principais falhas de atendimento, o impacto econômico e os indicadores estatísticos atuais atualizados.
1. Principais Falhas de Atendimento:
No SAMU (Atendimento Pré-Hospitalar):
Tempo de resposta elevado: O atraso no envio de ambulâncias — motivado por trânsito urbano, frotas sucateadas ou falta de higienização ágil das viaturas — compromete a chamada “Hora de Ouro” (os primeiros 60 minutos fundamentais para salvar vítimas de infarto, AVC ou grandes traumas).
Falha de triagem na Regulação Médica: Erros na classificação da gravidade pelo telefone (192) podem gerar o envio de Unidades de Suporte Básico (USB) para casos complexos que exigiam suporte avançado com médico (USA), ou vice-versa, atrasando intervenções críticas.
Falta de integração com os Hospitais (“Vaga Zero”): Ambulâncias muitas vezes ficam retidas na porta dos Prontos-Socorros porque as macas do SAMU são retidas nos hospitais devido à falta de leitos livres, gerando desfalque temporário na frota de resgate de rua.
Nos Prontos-Socorros (PS):
“Erro por Má Qualidade” de Diagnóstico: Conforme levantamentos globais sobre sistemas de saúde, o atendimento precário (dar alta para pacientes com lesões internas ocultas ou ignorar sinais atípicos) gera mais mortes evitáveis do que a completa falta de acesso a médicos.
Demora no Protocolo de Manejo de Trauma: Prontos-socorros superlotados sofrem com a fila na realização de exames rápidos de imagem (como o ultrassom FAST e a tomografia), o que atrasa a detecção de hemorragias internas abdominais ou cerebrais.
Quebra na Cadeia de Segurança do Paciente: O cansaço extremo dos profissionais e plantões sobrecarregados impulsionam erros de medicação (dosagem ou troca de fármacos) e falhas em procedimentos cirúrgicos imediatos.
2. O que isso custa ao Estado (Impacto Econômico):
As falhas no socorro imediato provocam um “efeito cascata” financeiro devastador para os cofres públicos:
Prolongamento do Custo de Internação: Um paciente que sofre sequelas graves por demora no socorro inicial consome consideravelmente mais recursos. O custo médio de um paciente em leito de UTI devido a complicações evitáveis gira em torno de R$ 3.000 a R$ 5.000 por dia ao SUS.
Indenizações Judiciais: Erros médicos grosseiros ou omissões de socorro no SUS resultam em processos judiciais volumosos. O Estado é frequentemente condenado a pagar indenizações por danos morais e pensões vitalícias milionárias a pacientes que ficaram inválidos por falhas assistenciais.
Impacto Previdenciário Secundário: Vítimas com sequelas neurológicas ou ortopédicas permanentes geram custos de longo prazo ao INSS por meio de aposentadorias precoces por invalidez e auxílios-doença, retirando jovens em idade produtiva do mercado de trabalho.
3. Cenário Atual dos Números: Brasil vs. Florianópolis:
Dados do Brasil:
Falhas Assistenciais Gerais: O Brasil registra anualmente cerca de 300 mil incidentes assistenciais e erros evitáveis na saúde pública (dados compilados via Anvisa/Sobrasp).
Mortalidade por Atendimento Precário: Estudos epidemiológicos históricos apontam que falhas e a baixa qualidade nos atendimentos hospitalares e de urgência provocam cerca de 153 mil mortes por ano no país.
Subfinanciamento do SUS: O Brasil aplica em saúde pública cerca de 4% do seu PIB, abaixo da recomendação de 6% estabelecida pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Além disso, repasses federais defasados têm gerado alertas de sobrecarga orçamentária para a manutenção do SAMU por parte de consórcios estaduais.
Dados de Florianópolis e Santa Catarina:
A Explosão de Acidentes Locais: Florianópolis consolidou-se como a cidade líder em acidentes de trânsito em Santa Catarina, ultrapassando até Joinville (que possui maior população). A capital catarinense registra um acidente de trânsito a cada 22 minutos.
Aumento da Gravidade e Óbitos: Somente na capital, foram registrados 56 óbitos no trânsito, um aumento alarmante de mais de 90% em comparação com dados de 2019. O primeiro trimestre nas rodovias que cruzam a Grande Florianópolis acusou um salto de 72% nas mortes. Esse crescimento descontrolado gera um impacto financeiro estimado em mais de R$ 6 bilhões em prejuízos socioeconômicos acumulados aos cofres públicos regionais se considerada a metodologia de custos de trânsito do IPEA.
Pressão sobre o SAMU Estadual: Em contrapartida à pressão do trânsito, o SAMU de Santa Catarina vem expandindo sua capacidade operacional. O serviço fechou com recorde histórico de mais de 205 mil ocorrências atendidas em um único ano por terra e ar, representando um crescimento de 4,7% na demanda por resgates.
A região da Grande Florianópolis lidera o volume diário de saídas de ambulâncias no estado.
Os “erros médicos” e as falhas assistenciais são monitorados oficialmente no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sob o termo técnico de Eventos Adversos (EAs). Trata-se de incidentes que resultam em danos reais e desnecessários ao paciente durante o atendimento à saúde.
As notificações são centralizadas através do sistema informatizado NOTIVISA. O volume de dados cresceu exponencialmente (mais de 230% desde o início da série histórica), impulsionado pela obrigatoriedade da criação de Núcleos de Segurança do Paciente em hospitais.
Os Erros Mais Comuns Mapeados pela Anvisa
Os “erros médicos” e as falhas assistenciais são monitorados oficialmente no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sob o termo técnico de Eventos Adversos (EAs).
Trata-se de incidentes que resultam em danos reais e desnecessários ao paciente durante o atendimento à saúde.
As notificações são centralizadas através do sistema informatizado NOTIVISA.
O volume de dados cresceu exponencialmente (mais de 230% desde o início da série histórica), impulsionado pela obrigatoriedade da criação de Núcleos de Segurança do Paciente em hospitais.
Os Erros Mais Comuns Mapeados pela Anvisa:
Os relatórios consolidados da Anvisa e boletins de vigilância sanitária apontam que os erros e incidentes mais frequentes ocorrem nos setores de internação, UTIs e pronto-socorro/emergência:
Falhas Gerais durante a Assistência à Saúde: Engloba erros de conduta assistencial direta e má avaliação da evolução clínica do paciente.
Erros de Medicação: Eventos evitáveis associados à administração de dose incorreta, troca de paciente, via de administração errada ou reações adversas graves por falha de monitoramento.
Lesões por Pressão (Úlceras): Danos à pele causados pela falta de movimentação e manejo inadequado de pacientes acamados de longa permanência.
Quedas de Pacientes: Incidentes ocorridos durante o transporte interno ou quedas de leitos/macas desprotegidos.
Falhas na Identificação do Paciente: Erros na conferência de pulseiras e prontuários que levam à administração de procedimentos ou exames na pessoa errada.
Falhas envolvendo Cateteres e Sondas: Problemas no manuseio, posicionamento ou manutenção de acessos vasculares e dispositivos de alimentação.
Os “Never Events” (Eventos que Nunca Deveriam Ocorrer):
A Anvisa monitora com rigor máximo os chamados Never Events — erros cirúrgicos graves e inaceitáveis ocorridos nos centros cirúrgicos do país:
Cirurgias em locais errados (erro de lateralidade, como operar a perna esquerda em vez da direita).
Realização de procedimentos em pacientes errados por falhas brutas de identificação.
Retenção de corpos estranhos (esquecimento de gazes, pinças ou compressas dentro do corpo do paciente após o fechamento cirúrgico).
Como Isso se Conecta ao Atendimento de Trauma (Motos e Rua):
O Pronto-Socorro como Gargalo: Ambientes de emergência superlotados são gatilhos para a quebra dos protocolos de segurança.
O cansaço das equipes e o fluxo desordenado aumentam as chances de um erro de diagnóstico oculto ou da troca de medicações analgésicas e anestésicas de alto risco.
Infecções e Dispositivos: O paciente de trauma grave frequentemente necessita de acessos venosos centrais e entubação imediata realizados às pressas na rua ou no PS.
Isso eleva consideravelmente os indicadores de infecções hospitalares associadas a dispositivos médicos, prolongando a ocupação dos leitos de UTI.
Informar sobre doenças preexistentes
Qual o impacto no resgate quando o socorrista tem em mãos as informações detalhadas sobre as doenças preexistentes da vítima?
Fornecer informações detalhadas sobre suas doenças preexistentes e seu prontuário médico na hora do socorro funciona como um “atalho para a sobrevivência”.
Em situações de emergência, o tempo é o recurso mais escuro e caro do sistema de saúde.
Abaixo, detalhado o impacto prático dessa atitude, o que ela representa em economia para o Estado e como ela reduz os índices de mortalidade no Brasil e em Florianópolis.
1. Como a Informação Facilita o Atendimento (O Impacto Prático):
No SAMU (Atendimento Pré-Hospitalar):
Envio da Ambulância Correta: Se o médico regulador do SAMU (192) souber que o paciente caído tem histórico de insuficiência cardíaca grave ou aneurisma, ele enviará imediatamente uma Unidade de Suporte Avançado (USA) com médico e UTI móvel, em vez de uma unidade básica.
Eliminação do “Tempo de Investigação”: Um paciente inconsciente não fala. Se uma testemunha ou familiar apresentar um histórico médico (como alergias severas ou uso de anticoagulantes), os paramédicos sabem exatamente o que injetar — e, mais importante, o que não injetar — na veia da vítima ainda na rua.
No Pronto-Socorro (PS):
Triagem de Risco Acelerada (Protocolo de Manchester): Com o prontuário em mãos, o paciente passa na frente da fila. Sintomas comuns como “dor de cabeça” ou “dor nas costas” ganham prioridade máxima se a triagem souber que o paciente tem histórico de AVC anterior ou infarto.
Prevenção de Interações Medicamentosas Fatais: Administrar determinados medicamentos de emergência em quem já toma remédios controlados (como os anticoagulantes Marevan ou Xarelto) pode desencadear hemorragias internas irreversíveis.
2. O que isso representa em Valores (Economia para o Estado):
A transparência de dados médicos reduz drasticamente o custo do atendimento público em Florianópolis e no Brasil:
Redução de Exames Desnecessários: No escuro, o pronto-socorro é obrigado a rodar uma bateria completa de exames de imagem e laboratoriais caros para tentar “adivinhar” o problema.
O histórico clínico direciona o diagnóstico, economizando insumos e reduzindo custos hospitalares em até 30% por atendimento de urgência.
Menos Dias de Internação em UTI: Descobrir o problema nos primeiros minutos evita que o paciente sofra uma falência de órgãos decorrente de um tratamento inicial errado.
Evitar que um paciente evolua para um leito de UTI poupa entre R$ 3.000 e R$ 5.000 por dia aos cofres do SUS.
Prevenção de Sequela e Custo Previdenciário: O tratamento rápido e assertivo reduz as chances de o cidadão necessitar de reabilitação por longos meses no Hospital Celso Ramos ou de se aposentar precocemente pelo INSS por invalidez, aliviando o orçamento público a longo prazo.
3. O que isso representa em Vidas (Redução de Mortes no Brasil e Floripa):
A falta de dados clínicos rápidos mata silenciosamente milhares de pessoas todos os anos no país.
No Brasil (Evitando Mortes por Choque Anafilático e Erros): Como vimos que falhas de diagnóstico e erros de medicação causam cerca de 153 mil mortes anuais no Brasil, o acesso ao prontuário ataca diretamente a raiz desse problema.
Estima-se que até 40% dos óbitos causados por reações alérgicas severas (choque anafilático) e interações medicamentosas erradas em prontos-socorros seriam evitados se o histórico do paciente estivesse disponível no ato da admissão.
Em Florianópolis (Tempo-Resposta no Trauma e AVC): Na capital catarinense, onde o SAMU atende mais de centenas de ocorrências por dia e o trânsito da cidade frequentemente atrasa as ambulâncias, a precisão da informação inicial compensa o tempo perdido nas filas.
Em casos de AVC e Infarto — onde a cada minuto perdido morrem 2 milhões de neurônios —, saber as doenças preexistentes reduz o tempo de porta-balão (atendimento essencial) em até 20 minutos. Isso representa a diferença exata entre o paciente sair caminhando do hospital ou morrer na maca de espera.
O que o SAMU e o PS atendem prioritariamente
O SAMU (192) atende prioritariamente casos de risco imediato de morte, traumas graves e emergências clínicas que exigem socorro rápido, como infartos, AVC (derrame), acidentes de trânsito com vítimas, faltas de ar intensas, paradas cardiorrespiratórias e quedas graves.
Também atua em situações de parto e crises psiquiátricas.
Principais ocorrências atendidas pelo SAMU:
Emergências Cardiorrespiratórias: Infarto agudo do miocárdio, dores fortes no peito, paradas cardíacas.
Problemas Neurológicos: AVC (derrame), com sintomas como perda de força e desvio na fala, e convulsões.
Traumas e Acidentes: Acidentes de carro/moto, atropelamentos, quedas com fraturas ou perda de consciência, cortes com sangramento grave.
Emergências Respiratórias: Falta de ar intensa e engasgos.
Situações Críticas Clínicas: Crises hipertensivas, intoxicações/envenenamentos e queimaduras graves.
Obstetrícia: Trabalhos de parto com risco para a mãe ou o feto.
Psiquiatria: Surtos psicóticos e tentativas de suicídio.
Quando Não chamar o SAMU:
O serviço não deve ser utilizado como táxi para consultas, exames, trocas de sonda, transporte de óbito ou casos leves como dor de dente ou entorses simples.
As principais emergências e urgências clínicas incluem:
Emergências Cardiovasculares: Parada cardiorrespiratória (PCR) e infarto (dor no peito).
Emergências Neurológicas: Acidente Vascular Cerebral (AVC/Derrame) e convulsões.
Problemas Respiratórios: Falta de ar intensa e insuficiência respiratória.
Traumas e Acidentes: Ferimentos graves, cortes profundos, queimaduras, afogamentos e choques elétricos.
Dores Intensas/Agudas: Cálculo renal (pedra no rim), apendicite e dor lombar forte.
Sintomas Gerais Graves: Hemorragias (sangramentos), desmaios, inconsciência e febre muito alta.
Diferença Importante:
Emergência (Risco de vida imediato): Precisa de atendimento instantâneo (ex: infarto, parada cardíaca).
Urgência (Necessita de rapidez, mas sem risco de morte iminente): Precisa de atendimento rápido, mas pode aguardar um pouco (ex: fraturas, dor forte).
Geralmente, casos de baixa complexidade que poderiam ser resolvidos em UBSs também lotam os prontos-socorros, sendo classificados como “menos urgentes” (cor verde/azul no protocolo de Manchester).
Os prontos-socorros atendem majoritariamente casos de dor forte no peito (suspeita de infarto), falta de ar intensa, AVC (perda de força/fala), parada cardiorrespiratória, traumas/acidentes graves, hemorragias, convulsões e queimaduras.
Urgências como febre alta, dores abdominais intensas, cálculos renais e cortes profundos também são muito frequentes.
Quais as principais causas de óbito no SAMU?
Parada Cardiorrespiratória (PCR): Requer atendimento imediato para reverter a falta de oxigenação cerebral.
Infarto Agudo do Miocárdio: Dores no peito de aparecimento súbito estão entre os chamados mais críticos.
Acidentes de Trânsito/Traumas: Agressões e acidentes automobilísticos geram alto volume de óbitos.
AVC (Acidente Vascular Cerebral): Alteração súbita na fala ou perda de força (sintomas comuns).
Procedimentos em uma emergência
Ligue para a emergência (SAMU 192 ou Bombeiros 193) quando houver risco imediato à vida, dor no peito intensa, dificuldade respiratória grave, desmaio, convulsão, AVC (derrame), acidentes de trânsito com feridos, queimaduras graves ou hemorragias.
Nota: O atendimento visa evitar mortes ou sequelas graves.
Quando chamar o SAMU (192) – Emergências Clínicas:
Dores fortes no peito e problemas cardiorrespiratórios (suspeita de infarto).
Perda de consciência ou desmaios.
Crises convulsivas.Intoxicação (envenenamento) ou tentativas de suicídio.
Trabalho de parto com risco à mãe ou bebê.
Quando chamar os Bombeiros/SIATE (193) – Traumas/Acidentes:
Acidentes de trânsito com vítimas.
Quedas graves, fraturas ou imobilidade.
Queimaduras ou choques elétricos.
Ferimentos por arma de fogo ou branca.
Soterramentos ou desabamentos.
Dicas de Segurança:
Mantenha a calma e responda a todas as perguntas do atendente.
Informe o local exato (rua, número, bairro e ponto de referência).
Seja claro sobre o que aconteceu e quantas pessoas estão feridas.
Em uma emergência com risco de vida (inconsciência, dor no peito, falta de ar, acidentes graves), avise os serviços de socorro (SAMU 192 ou Bombeiros 193) imediatamente.
A prioridade é garantir a segurança da cena e ligar antes de tentar qualquer socorro complexo, fornecendo local, nome e o ocorrido.
Quando e quem avisar:
Imediatamente (Risco de Vida): Ligue 192 (SAMU) para infartos, AVCs, desmaios, crises convulsivas ou acidentes graves.
Imediatamente (Risco Físico/Incêndio): Ligue 193 (Bombeiros) para incêndios, soterramentos ou presos em ferragens.
Polícia (190): Acione em casos de violência, roubo ou ameaça à segurança.
Familiares: Avise após garantir que o socorro profissional foi acionado, ou peça para alguém próximo ligar enquanto você acompanha a vítima.
Informações essenciais ao ligar:
Onde é a emergência (endereço exato e ponto de referência).
O que está acontecendo (o tipo de acidente ou mal súbito).
Quantas vítimas e o estado de consciência delas.
Em uma emergência, comunique parentes ou conhecidos logo após acionar os serviços especializados (SAMU 192, Bombeiros 193 ou Polícia 190) e garantir sua segurança ou a da vítima.
A comunicação deve ser rápida, idealmente nas primeiras horas, para evitar desinformação e repassar informações precisas sobre o local e estado de saúde.
Pontos importantes sobre a comunicação:
Prioridade: A ajuda profissional é sempre a prioridade nº 1. Ligue para o 192/193 primeiro.
Quando avisar: Assim que os socorristas estiverem a caminho ou após a vítima já estar sob cuidados médicos (no hospital/ambulância).
Quem avisar: Escolha alguém próximo (familiar ou amigo) que tenha facilidade em atender o telefone, mesmo que more longe.
O que dizer: Seja direto e objetivo, relatando o que aconteceu, onde a vítima está (hospital) e o estado atual.
Em ambiente profissional: Se a emergência ocorrer no trabalho, comunique imediatamente um superior, RH ou área médica da empresa.
Protocolo XABCDE
O protocolo XABCDE é uma mnemônica utilizada mundialmente para padronizar o atendimento inicial a pacientes politraumatizados, focando em tratar primeiro o que mata mais rápido.
Ele prioriza a contenção de hemorragias externas graves (X) antes mesmo da avaliação das vias aéreas, visando reduzir a mortalidade por choque hipovolêmico.
Significado das Etapas (Avaliação Primária):
X – Exsanguinação (Hemorragia Externa Grave): Identificação e controle imediato de sangramentos massivos (uso de torniquetes, compressão direta).
A – Vias Aéreas e Proteção Cervical: Garantir via aérea pérvia e estabilização da coluna cervical.
B – Boa Ventilação e Respiração: Avaliar a oxigenação, frequência respiratória e movimentos torácicos.
C – Circulação e Choque: Avaliar pulso, perfusão e controle de hemorragias internas.
D – Disfunção Neurológica: Avaliação rápida do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow) e pupilas.
E – Exposição e Controle de Temperatura: Despir o paciente para buscar lesões ocultas, prevenindo a hipotermia.
O XABCDE substituiu o antigo ABCDE ao incorporar o “X” no início, reconhecendo que hemorragias exsangüinantes são a causa evitável mais comum de morte no trauma.
Tempo ideal para socorrer uma emergência
Se a vítima não puder informar o ocorrido, o SAMU (192) prioriza o envio imediato de equipe (técnico/enfermeiro) para avaliação presencial e triagem.
O médico regulador utiliza o local e estado geral da vítima para definir a urgência, orienta quem estiver presente e, se necessário, transporta para hospital de referência.
O procedimento segue estas etapas cruciais:
Identificação do Local: O foco inicial é obter o endereço exato e pontos de referência, mesmo que o solicitante não saiba o que aconteceu.
Regulação Médica (Triagem): O médico regulador avalia o nível de consciência, respiração e aparência da vítima, classificando o risco (vermelho para risco imediato, amarelo/verde para menos grave).
Ação Presencial: Com base na gravidade presuntiva, envia-se Unidade de Suporte Básico (USB) ou Avançado (USA).
Orientação Telefônica: Enquanto a ambulância se desloca, o regulador orienta o solicitante a verificar sinais vitais ou realizar manobras básicas (como RCP).
O que fazer nesse caso:
Ligue 192 e informe “pessoa inconsciente” e o endereço.
Mantenha a calma e siga as instruções do médico por telefone.
Não tente mover a vítima, a menos que haja risco iminente.
O tempo ideal para socorrer uma emergência grave é imediato, preferencialmente nos primeiros 4 a 8 minutos.
Pontos-chave para salvamento rápido:
Parada Cardiorrespiratória: Iniciar compressões torácicas imediatas é vital; após 10 minutos sem socorro, as chances de sobrevivência são mínimas.
Tempo de Resposta Ideal: Especialistas indicam que o ideal é um atendimento pré-hospitalar em menos de 8 minutos para traumas graves.
Infarto/AVC: A desobstrução de artérias deve ocorrer o mais rápido possível, idealmente em menos de 90 minutos após a chegada ao hospital (tempo porta-balão).
O que fazer?
Chame o serviço de emergência (SAMU 192) imediatamente e inicie o Suporte Básico de Vida (compressões de 100 a 120 por minuto).
Nota: Em paradas cardiorrespiratórias, cada minuto sem reanimação reduz a chance de sobrevivência em 10% a 25%, sendo crucial iniciar manobras antes da chegada da ambulância, idealmente dentro da “hora de ouro”.
O que é RCP? Como a música ajuda a realizar este conjunto de manobras?
O que é RCP?
RCP significa Ressuscitação Cardiopulmonar (ou reanimação cardiorrespiratória). É um conjunto de manobras de emergência realizado para manter o sangue circulando e oxigenando os órgãos vitais quando uma pessoa sofre uma parada cardiorrespiratória (PCR).
Quando é indicada
• A pessoa está inconsciente (não responde a estímulos).
• Não apresenta respiração normal ou não respira.
• O coração parou de bater.
Como fazer em adultos (Passo a Passo)
Chamar ajuda: Ligue imediatamente para o serviço de emergência (no Brasil, 192 para o SAMU ou 193 para os Bombeiros).
Posição: Deite a vítima de costas em uma superfície firme e plana.
Compressões torácicas:
• Posicione as mãos entrelaçadas no centro do peito (na linha entre os mamilos).
• Comprima o tórax com força e rapidez, a uma profundidade de 5 a 6 cm.
• Mantenha uma frequência de 100 a 120 compressões por minuto.
Respiração boca a boca (ventilação): Se tiver treinamento, faça 2 ventilações a cada 30 compressões. Se não souber ou não se sentir seguro, faça apenas as compressões contínuas.
Manutenção: Continue o procedimento sem interromper até a chegada do socorro médico ou de um aparelho de desfibrilação (DEA).
A música Stayin’ Alive dos Bee Gees é amplamente utilizada em treinamentos de Reanimação Cardiopulmonar (RCP) em todo o mundo.
Por que a música funciona
• Ritmo ideal: A canção tem cerca de 103 a 104 batidas por minuto (BPM).
• Frequência correta: As diretrizes médicas recomendam fazer de 100 a 120 compressões torácicas por minuto durante uma massagem cardíaca.
• Fácil de lembrar: O ritmo constante ajuda socorristas e leigos a manterem a velocidade certa na hora do socorro de emergência.
Várias músicas de rock com o ritmo ideal de 100 a 120 batidas por minuto (BPM) podem ajudar a guiar as compressões torácicas na RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar).
• “Eye of the Tiger” — Survivor (cerca de 109 BPM)
• “Another One Bites the Dust” — Queen (cerca de 110 BPM)
• “Sweet Home Alabama” — Lynyrd Skynyrd (cerca de 98-100 BPM)
• “Crazy Train” — Ozzy Osbourne (cerca de 115 BPM)
• “You Give Love a Bad Name” — Bon Jovi (cerca de 120 BPM)